quinta-feira, 12 de maio de 2016

Paciente Tania- História de vida e superação




                             
História de vida e superação:

Paciente 58 anos, lúcida, pós-operatório de tumor extramedular em região D8, paraplegia dos membros inferiores, espasticidade. Depois de muito tempo hospitalizada e lutando pela vida: infecções constantes, escaras , dependente total para banho,  alimentação, uso de fraldas , etc. Recebeu alta hospitalar e continuou seu tratamento em casa com orientação médica juntamente com a equipe de home care. Sendo que a orientação médica mais importante é que a paciente tem que "respirar" fisioterapia.
Quando comecei o tratamento na casa da paciente me deparei com uma cama hospitalar no meio da sala e ao exame físico somente movimento em membros superiores e praticamente nenhum nos inferiores. Controle de tronco zero , permanecer sentada nem pensar. O banho era no leito com panos molhados. Lavar os cabelos era praticamente uma missão difícil pois teria que jogar agua com a caneca e balde.
Respirei fundo e com o coração apertado de ver uma mulher jovem nessas condições ,sempre alegre com Deus no coração e sempre otimista pensei: “Primeiramente tenho que trabalhar buscar a independência dela”.
Comecei o tratamento com bastante alongamento, trabalho com bola, faixa elástica e exercícos ativo-passivo para ganho de força muscular , trabalho de controle de tronco sentado e deitado todos os dias da semana. 
Passados 3 meses começou a ter um ganho de movimentos ativos nos membros inferiores e daí trabalhei com mais intensidade.
A primeira independência foi conseguir permanecer sentada sem ajuda, pentear os cabelos, olhar no espelho, beber agua, se alimentar de forma correta e sozinha. Quanta alegria no seu olhar, sua face, sua fala transmitia esperança.
Seguindo os trabalhos... outro ganho foi virar-se do leito sozinha principalmente a noite, não precisando de pedir ajuda a ninguém.
Pensei: " porque a cama hospitalar se voce consegue virar de decúbito e permanecer sentada sozinha” e o banho nao vai ser mais no leito e sim no banheiro na cadeira de banho dentro do box e com o chuveiro batendo na sua pele e nos seus cabelos.
Quanta alegria quando a paciente tomou banho pela primeira vez . A agua chegava a doer sua pele por ser muito fina mas a felicidade falou mais alto. Chegamos a filmar o primeiro banho e não conseguimos controlar a emoção.
Comecei a trabalhar treino de marcha com ajuda do andador. Colocamos ela em pé e treinamos bastante ate pegar segurança e perder o medo de cair.
A independência foi aparecendo cada vez mais , se consegue tomar banho no chuveiro, uso de fralda nem pensar. Para todos os lugares da casa se locomover de andador. Adeus cadeira de roda.
A paciente reside no terceiro andar e não tem elevador, ou seja somente escadas. Mais um obstáculo a enfrentar já que a paciente não “pegava” sol da manhã.
Depois de muitos ganhos, força, superação, alegrias , choros de emoção começamos a descer escadas para ver o sol , socializar, sair de casa, quebrar a rotina, recomeçar... Conseguimos . E assim foram todos os dias treinos e mais treinos de subir e descer escadas ate conseguir sozinha. Isso mesmo SOZINHA. Sempre aos olhares do marido, amigos e acompanhantes.
O obstáculo não passou ser mais obstáculo e sim mais uma superação. A independência foi chegando quando a vontade dela se realizava com seu próprio esforço.
Daí surgiu nosso primeiro passeio e onde foi....na praia. Fui até a casa dela e fomos de carro pra praia. Pela primeira vez depois de muito sofrimento e meses internada pisou na areia, molhou os pés, tomou água de côco, contemplou o mar e ainda comemos um peixinho frito  na companhia do marido e do médico que acompanhava toda evolução dela na época. Aliás um querido que aceitou nosso convite de participar desse momento único da vida dela.
Existe um projeto da prefeitura da nossa cidade muito importante que se chama praia legal, onde voluntários da área de saúde e salva-vidas levam cadeirantes ou qualquer tipo de limitação motora sejam idosos ou crianças para o mar. Eles tem cadeira adaptada para transportar o paciente da areia ate o mar onde trabalham todos os tipos de movimentos com auxílio da água.
A paciente começou a fazer parte desse projeto duas vezes por semana onde seu marido levava de carro e contava com ajuda de voluntários como fisioterapeuta, assistente social, fono e salva-vidas fazendo um excelente trabalho na água e na areia para reforço muscular.
E o ganho foi enorme...até começar a treinar a bengala comigo.
Hoje sua vida está voltando ao normal e que estou realizando um sonho de ajudar a ter uma qualidade de vida, mesmo com algumas limitações mas nada que impeça de fazer algo que não queira. Se tem vontade de ir ao supermercado ela vai...Se tem vontade de ir ao aniversario do neto ela vai...Se tem vontade de sair aos domingos que era entediado ela vai...claro com auxílio da bengala ou cadeira de roda em lugares mais difíceis de se locomover. Hoje com todo seu esforço, dedicação e principalmente FÉ,  juntamente com seu marido estão construindo uma igreja em total agradecimento a DEUS por tudo. Parabéns querida e guerreira. Sou sua fã. A sua fé te curou. E eu continuo com você , pois lembra do que o médico disse: você tem que “respirar” fisioterapia. Estamos juntos e faço parte da sua história...









Tânia pela primeira vez no caiaque esperança do projeto praia legal vila velha ES






4 comentários:

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  3. Acompanhei e acompanho mesmo à distância essa linda história de vida e superação e profissionalismo que Larissa Caus se entrega de corpo e alma para desenvolver seu trabalho em busca de resultados, onde não mede esforços, e o convívio se mistura em paciente e amizade, é muito lindo! Isso se resume em fé e amor a Deus pelo que acreditam. Parabéns as duas pela superação e competência. Fiquem com Deus! Bjs! Amo vcs!

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  4. Obrigada pelo carinho Diana, você é muito especial para nós! Amamos você! Grande beijo e saudades!!!

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